GIIIIIIIRO DE NOTÍÍÍCIAAAAS!

March 23, 2012

Pra quem ainda não percebeu, eu (Caio) sou o único que ainda posta aqui nessa jiromba. Aí você me fala “Ai, que chato, Caio, essa porra de blog tem três anos já, ninguém mais lê. Samira, Pipi, Lucas e Lorrraine tão cagando. Por que vc continua postando?”. Meu, então, a real é que toda vez que eu pego para ler os posts antigos do vaca, de 2009, 2010, eu quase choro de tanto rir e me sinto bem de ver a nossa históri aqui e, realmente, não queria perder essa sensação quando eu tiver 26 anos e estiver lendo os posts de 2012. Quero lembrar nos rolês, do momento que a galera tava vivendo, da música que a gente tava ouvindo. Tô ligado que quem vive de passado é museu, mas a minha história bonita com meus amigos eu ainda tô querendo preservar, mesmo que todos eles estejam ocupados demais para postar aqui de vez em quando (indireta much?).

ENTÃO VAMOS AO NOSSOOOO GIIIIIIIRO DE NOTÍCIAS.

Enquanto eu contiuo no velho continente, a apenas três meses de regressar à pátria amada, idolatrada, salve e salve, as ciosas no Brasil parecem continuar iguais. Vejamos:

Sabrina continua rebobinando fitas e se degladiando com o brother do financeiro do trampo dela. Ouvi dizer que andou negligenciando o treinamento com o long e perdeu muita das habilidades.

Lucécia virou workaholic total e só reclama de trabalho, muito embora ele continue conectado 24 horas por dia no facebook. Com quem ele fala é um mistério, já que ele jamais responde minhas mensagens. Eu estou apostando em um novo romance proibido.

Pipi….. ALGUÉM TEM ALGUMA NOTÍCIA DO PIPI? ELE TÁ BEM?

Rolaine, como vcs perceberam, terminou com o namorado e tá na fossa. Se alguém tiver algum conselho pra menina, favor se manifestar nos comentários, que eu num guento mais dar uns quebras virtuais nela.

Luma e Karnakis seguem a vida pacata de casal. Karnakis continua no plano desenfrado de ser o próximo milionário.

Cadu e Tássia, ouvi dizer, formaram uma gangue de furtos de aquários em formaturas e tão revendendo o material na Leroy Merlin.

O resto da patota tá perdida entre Las Vegas e Califórnia e ninguém mais me dá notícia de nada.

Segue foto inspiracional do dia:

Beijos,

Caio

ENTREEEI NA FEIRA DA FRUTAAAAAAAA

March 23, 2012

PRA VER O QUE A FEIRA DA FRUTA TEEEEEEEMMMM!

Um beijo pra todos do VACA, uhuuhuhuhu!

Caio

A solidão de quem se sabe.

March 22, 2012

Além de uma mansidão aparente, existe sempre muita crise estelar na alma de cada um. Uma cara sóbria é falcatrua de quem quer estar bem sem poder se dar ao luxo de dizer as coisas. Quem as diz, admite quase secretamente o verdadeiro estado do ser. Não há discurso que não se entregue, mesmo o interlocutor sendo um ótimo ator.

É o momento em que as palavras revelam quem somos e quem são. Pois palavras se dotam de seus significados próprios, mas também carregam os significados de cada um de seus donos. A palavra que é igual, na boca diferente de cada um, é sempre diversa de significado. Um discurso nunca pode ser o mesmo, assim como o interlocutor está sempre em metamorfose.

É por isso que amo e odeio as conversas. As amo, pois são a única forma possível de compreensão humana, a forma mais próxima e patente de se chegar a um consentimento, a um entendimento. São nas conversas, aquelas bem estruturadas e dotadas de inteligência, que as palavras florescem. Seu propósito desabrocha. Mas também as odeio pois são todas incompletas. Nenhuma delas preenche a necessidade inicial de forma suficiente. Se a conversa existe por uma razão, essa razão nunca é plenamente explorada pela conversa em si.

Há bem que se dizer que grande parte da culpa desse destino injusto das palavras são os interlocutores em si. Humanóides demais, quase nunca construímos a frase da maneira que queremos dizê-la. É triste que nossos desejos mais íntimos, que as vontades e as razões do coração, nunca possam ser externalizadas de forma completamente coerente: há sempre uma diferença de vácuo entre o que queremos dizer e o que realmente dizemos. Quando discursamos, sempre perdemos.

E é aí que as palavras nos provam a solidão. Pois ninguém será nunca capaz de nos ler sem erros, de compreender quem somos sem perderem-se um pouco nas formas do que dizemos. O que somos por dentro, detrás dos olhos e da face, será sempre nosso mistério, pois palavra qualquer poderia traduzir. Somos mistérios em nós mesmos. Somos verdade apenas até um segundo antes do pensamento chegar à boca durante a viagem que parte do cérebro. No instante em que verbalizamos a primeira sílaba, viramos mentira, o encanto se quebra, quedamos sozinhos novamente.

Caio

March 21, 2012

Às 9:05 da manhã de hoje, eu saltava do ônibus número 38 – a caminho de Moortown Corner – com a Jo, uma das minhas colegas de trabalho. A manhã, assim como quase todas as outras, era bastante inglesa, fria e cinza. Enquanto caminhávamos ambos em direção ao escritório, sob chuva fininha, a Jo me contou que detestava os ônibus. “Eu sou tão alemã” – disse ela, que é mesmo natural de Berlim. “Eu reclamo de tudo”. Eu assenti e ri, querendo parecer leve e brasileiro. É mesmo interessante que eu seja um pouco reclamão mas que, naquele momento, quisesse passar a impressão do brasileiro de bem com a vida. Ela continuou: “Normalmente, o que a gente mais odeia nas pessoas são os traços da nossa própria personalidade. Eu nunca fui fã de pessoas. Quero dizer, olhe ao redor. O mundo é horrível por causa das pessoas”. Eu olhei ao redor. Vi uma velhinha inglesa atravessando a rua com a sacola de compras na mão e uma fila de crianças saindo do ônibus escolar, enquanto o padeiro tirava a primeira fornada de folhados e a colocava na vitrine. A pacata Leeds não poderia estar mais pacata. “Eu normalmente gosto de pessoas”, disparei. “É difícil eu odiar pessoas”. Que mentira. Ela replicou: “Talvez eu devesse me mudar para o Brasil, então”. Missão cumprida. O Brasil tinha virado um país legal para mais um estrangeiro.

O resto do caminho fui pensando nas pessoas. Em todas elas, não importava se as conhecia ou não. Estar longe da vida comum, e mais, do amor comum, é trabalhoso. Até com o amor a gente se acostuma. Com um certo tipo de amor. Sabemos o calor específico de cada coração por qual nos apaixonamos, seja na família ou seja nos amigos (no meu caso, essas duas categorias são exclusivas, já que o amor de amante parece ser sempre negligenciado pela vontade do meu destino). Aqui, eu tive de reaprender a amar. A amar o que não me é correlato. Aquilo que, em condições naturais, talvez eu sequer prestaria atenção.

Confesso que era preconceituoso no amor. Que sempre amei, ou tentei amar, aquilo que para mim parecia valer a pena. Para qualquer um, a afirmação pode parecer justa, mas não é quando entendemos que qualquer pessoa é digna e passível de amor.

Ontem eu tive de me despedir de um amigo querido. Talvez o mais querido que eu tenha feito durante esses seis meses que estou aqui. O Erick, mexicano da gema que não viajava sem sua salsa para pôr na comida, seria o tipo de pessoa que talvez pudesse sofrer preconceito do meu amor. Calado, confiante e de gostos específicos, nunca fez questão de agradar quem quer que fosse. Vestiu o mesmo casaco por seis meses e, confessou a mim, tomava banho raramente. Fazer a barba era luxo e ele realmente não se importava de usar um moleton sujo. Dividia o quarto comigo e, por dois meses, dividimos a cama de casal, já que ele não podia assinar um contrato de aluguel. Eu não liguei. Pelo contrário. Hoje, com a sua partida, tendo a achar a cama e o quarto odiosamente vazios e o espaço extra nas gavetas começa a me irritar.

Eu nunca fui de pesadelos. Nem quando criança. Jamais acordei chorando por um sonho ruim. Mas tive meu primeiro pesadelo aqui, do lado do Erick. Acordei chorando e gritando e, quando dei por mim, eu já recebia um abraço dele. Um abraço de verdade, sem amarras ou medos. Ele só queria me ver bem e conversou comigo até que eu voltasse a dormir novamente.

O Erick ganhou meu  carinho e amor pela sua honestidade, consigo mesmo e comigo. Pela sua alma bondosa, pela sua mente aberta, livre de preconceitos e por acreditar em mim, por conversar comigo, por ter chorado comigo, por admitir seus erros, por saber estar perdido, por não ter vergonha de pedir um abraço, por ter me abraçado quando eu tive meu primeiro pesadelo, por ter me amado.

Eu entristeço ao pensar que, muito provavelmente, a vida vai nos separar. Por mais que me doa a proposição e eu queira acreditar que poderemos manter um contato duradouro, minha perspectiva realista sabe que são poucas as amizades que sobrevivem a oito mil quilômeros de distância. Mas vou tentar. Quero visitá-lo quando ele casar com a Nallely, a namorada que virou sua noiva em Paris. Quero recebê-lo em minha casa quando, no próximo ano, ele for para a Argentina. Quero, principalmente, abraçar o Erick de novo. Pois foi no abraço que eu senti o amor.   Pois foi no abraço dele que eu me senti feliz, mesmo longe de todos aqueles pelos quais sou apaixonado no Brasil.

E eu me orgulho de sentir que o Erick não é meu tapa-buraco. Ele não é substituto para nenhum outro amor na minha vida. É único, um amor magnífico que, mesmo não se provando a todo momento pelo contato imediato, vai sobreviver em mim por muitos anos, eu sei bem disso.

A ele, que não fala Português e talvez nem saiba da existência do blog, eu agradeço. Agradeço pelo amor que eu senti. Havia esquecido. Já tinha tomado todos os meus amores como líquidos e certos e, alguns dos amores que perdi, faço questão de não me recordar. A ele agradeço com todas as forçar por ter sentido um novo amor. Eu ando triste esses dias. Mas só ando triste porque o Erick me fez bastante feliz.

Quando a gente sente um amor novo e tão bom assim, entende que todos os amores valem a pena. Que todas as pessoas merecem o amor e que, quando se ama sem fronteiras, medos ou preconceitos, a vida, como um todo vale mais a pena. Vale mais a pena porque se é todo sorrisos, e abraços, e carinho.

E eu desejo, a qualquer um que esteja lendo, um amor desses, seja ele que cara tiver, seja ele como for.

Beijos,
Caio

Gente estilosa…

March 16, 2012

… é quem tem auto-confiança!

 

Diz aí, Sam!

Uma geração.

March 7, 2012

O primeiro passo para reconhecer que se está ficando velho é conseguir fazer análises da própria geração. Só se faz análises de objetos que tiveram tempo de vida suficiente para serem observados e é com tristeza que percebo que a minha geração já tem tempo de casa para ganhar pitaco.

A análise é um tanto abortada, confesso. Eu bem sei que tenho conhecimento de parcela bem específica da tal geração Y. Tendo sido criado em cativeiro, ambiente hermeticamente fechado de boas escolas particulares, cursos de inglês, faculdade pública e intercâmbios acadêmicos, entrei em contato só com gente como eu.

Comecei a estagiar um mês depois de ter entrado na faculdade. Era um dos maiores escritórios de advocacia do país e eu era o único estagiário da área de Direito do Consumidor. Me lembro de, no meu primeiro trabalho como estagiário (tirar fotocópia das principais peças de um processo), eu acabei por perguntar para o advogado como eu reconheceria e petição inicial. Ele, mais paciente do que eu esperaria, me respondeu que a petição inicial é a primeira peça dos autos, obviamente. Relevem, eu tinha apenas um mês de São Francisco e ainda pensava que seria o póximo Paulo Autran.

Quatro anos depois e eu já passei por outro escritório de grande porte, por um banco de investimentos, cursos variados, duas experiências internacionais, um intercâmbio acadêmico, um estágio na área de pesquisa e muita malandragem aprendida de uma vida profissional muito jovem. Meu currículum impressiona meu pai e até mesmo meus irmãos mais velhos. Para eles, sou menino gênio.

Coitados, mal sabem que estão sendo enganados. Meu currículum não tem nada além do que os outros currículos dos meus amigos têm. Todos falam mais de uma língua, todos possuem experiência profissional de qualidade, a maioria já viajou para o exterior. Todos eles se vestem bem. A competição é difícil. Ter nascido privilegiado (pois em um país pobre, quem tem um olho é senador) resultou em uma competição desmedida; é preciso estar sempre bem preparado sob a pena de eu me tornar um não-empregável, o que aqui é alcunha pior do que “aquele-que-não-deve-ser-nomeado”.

A minha geração é impressionante. Eu mesmo fico estupefado com a qualidade profissional dos meus amigos mais próximos. Um já é diretor de arte, outra produziu quase metade de todos os programas de TV que eu assisto, tem um que já é até CEO de uma empresa de pequeno porte. Eu corro para não ficar atrás. Em uma faculdade pública com a tradição franciscana é ainda pior: o nivelamento é por cima, muito por cima. Nessa esteira de vaidades e qualidades pessoais, é difícil manter a auto-estima e confiança em alta. Nem me comparo aos alunos de Harvard, Oxford ou Cambridge que é para me poupar a depressão.

Pois bem, em matéria de informação e capacitação, essa geração Y provou (e prova) todos os dias que é a mais preparada em tempos. Concordo e discordo. Concordo que somos inteligentes, que, se quisermos, aprendemos rápido. Que dominamos mídias e que a tecnologia não nos assusta. Somos rápidos, conseguimos fazer muita coisa em um mesmo tempo. Mas também somos preguiçosos, contamos demais com as facilidades do mundo moderno e nos falta foco. Temos medo de trabalho duro, esforço parece contraproducente e somos todos prol prazer. Trabalhar muito só se a contraprestação for condizente. “Só sou workaholic se puder ser milionário”.

E tudo isso eu acho bem natural e, em algumas medidas, bom. Nossa geração aprendeu que não vale a pena perder todos os fios de cabelo trancada em um escritório. Há vida lá fora e ela deve ser aproveitada: queremos viajar, conhecer lugares, ver coisas, tocar, experimentar, angariar sensações. Tudo pelo prazer, é preciso viver. A promessa de um lugar eterno no Paraíso não agrada mais e o Céu é aqui e agora.

Sem problemas até aí também. Parece até que encontramos a harmonia perfeita entre aspirações e obrigações. Acontece que essa geração, que experimentou muito mais facilidades do que seus progenitores, não sabe falhar, não sabe ser negada e ainda não aprendeu que a vida só se dá depois de inúmeras tentativas frustradas. Ao chegarem na vida adulta, esses adolescentes privilegiados pensam que encontrarão a continuidade de todas as facilidades das quais dispuseram até ali. Demora para esse jovem adulto perceber que o ambiente de trabalho é diferente do ambiente acadêmico protegido, que a postura frente aos problemas deve ser diferente e de que, a partir de agora, é preciso ser de ferro.

Esses jovens (e aqui eu me incluo na patota) são macios demais. Frágeis, até. Não sabem administrar a perda, uma possível incapacidade , um problema que seja. Se perdem nas formas da burocracia da vida adulta, reclamam quando deveriam trabalhar, desistem quando sequer começaram as tentativas reais. Quase tudo serve de engodo para postergação ou para chamada depressão. Quantos dos seus tios ou amigos dos seus pais fazem terapia? Agora me diga quanto dos seus amigos fazem terapia. O número, pelo menos para mim, quase triplica.

Não estou fazendo menos de possíveis disfunções psicológicas, percebam. Mas me pergunto se elas podem mesm ser chamadas de disfunções ou se são apenas o que meu pai costuma dar o nome de “contratempos da vida”.

É preciso aprender a viver. E a vida, assim como qualquer outra experiência, carrega sua parcela boa e sua parcela ruim. É composta das risadas, mas também das perdas, dos fracassos e dos choros. A maneira com a qual lidamos com essa parcela ruim da vida nos determina de forma muito mais profunda do que os momentos de prazer. Não que eles não sejam importantes, pelo contrário: quem me conhece sabe bem que sou um entusiasta da boa vida. É preciso compreender somente que todos os estados de vivência são mutáveis.

“Nada é permanente, exceto a mudança”: Heráclito já sabia que tudo pode mudar, para o bem ou para o mal. Essa geração, inteligente que só ela, ainda está em tempo de aprender e fazer bom uso daquilo que seus pais falharam em ensinar. De que sucesso de verdade só vem depois de muito esforço e de que esse mundo, definitivamente, não foi feito para os fracos.

Beijos,
Caio

6.

March 6, 2012

Eu tenho saudade ate de te esperar enquanto vc tomava banho.

To escrevendo aqui sobre meu coracao pq ele le, ou lia nem sei mais, meu blog pessoal diariamente.

E n eh q levei um pe na bunda em ano bisexto e bem dia 29 e 2 dias antes do nosso aniverssario? Caralho.

E eu la, falando q queria “be the one to walk that mile before the end begins” quando mal sabia q o final ja tinha chego faz tempo. Eu la esperando ele dormir de costas pra mim quando nao se precisa dar as costas a ngm pra ta do outro lado da cama. Eu la dizendo q um dia agente vai querer ficar c outras pessoas e depois sentir culpa quando ele ja tava achando outras coxas as coxas mais gostosas q ele ja viu, faz tempo. E eu la dizendo q agente sabe q vai morrer mas nao se mata, segue vivendo, sem saber q oq agente tinha ja morreu faz tempo.

Caralho.

Eu sou tao o cliche de quem amou demais sozinha que to ate lendo aquela Tati Bernardi, tomara q com 30 anos eu saiba mais da vida do que ela. E tb Caio F. Abreu, que me ensinou isso:

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como “estou contente oura vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Ai eu fico aqui, fingindo q entendo tudo isso, tendo q ficar lendo esses textos ridiculos de auto-ajuda so pra tentar me equilibrar depois dessa rasteira gigantesca q a vida me deu.

Lorraine.

Entretenimento forçado no ambiente de trabalho

February 29, 2012

Tarefas básicas para evitar tédio profissional se você, assim como eu, evita o trabalho até as últimas consequências. Não trabalhar, quando se tem um emprego, pode tornar-se tedioso. Algumas dicas para aliviar a tensão.

#1      Espreguiçar-se com frequência, mas de forma discreta: alonga os músculos e revigora aquela nhaca de ficar muito tempo olhando para a tela do computador com olhar vazio. Não emitir sons durante o processo, mas apenas uma profunda suspirada ao final.

#2     Acessar o Google de países variados: os meus preferidos são o Google Potugal e o Google África. Te dão um senso de globalização e espanta um pouco os ombros cansados.

#3     Conversar com seus amigos pelo Gtalk: não basta conversar, tem que ter fofoca, intriga, especulação e babados. Se não o tempo num passsa também.

#4     Ir ao banheiro de hora em hora: dá pra esticar as pernas, lavar o rosto, se olhar no espelho, espremer uns cravos. Risco aplicado dos coloegas de trabalho pensarem que vc está com desinteria. Vc escolhe o preço a se pagar: a fama de cagão ou trabalhar. Prefiro a fama de cagão.

#5     Comer: sempre leve um snack pro trabalho. Eu prefiro os grãos salgados artificialmente e os chocolates de tablete único (pra vc não ter que dividir).

#6    Redes sociais: se tiver acesso, use na aba extra, minimizada no cantinho. Meu Facebook bomba mais do que nunca em dia de trabalho.

#7     Redes de e-mails com amigos: uma grande cadeia em um chat infinito de piadas e testes vocacionais e de lógica que nunca dão em nada.

#8     Criem um blog e o mantenham atualizado: pq vc acha que tem post meu nessa budega todo dia?

Beijos,
Caio

Guarulhenses famosas

February 29, 2012

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/?c=16618&t=Equipe

 

precisava compartilhar.

um beijo Luiza, um beijo Cris.

 

Lucas

“Na vida, não limite-se. Laerte-se.”

February 28, 2012

Encontro certa dificuldade – e alguma resistência – em começar esse texto. Talvez seja pela importância do tema, mas ainda mais pela responsabilidade das palavras: no terreno no que é incerto e mal compreendido, uma vírgula errada pode ser catastrófica. Digo isso pois Laerte Coutinho, o gênio cartunista, é o mais moderno exemplo de responsabilidade bem empregada. Desde que começou a se travestir completamente como mulher, em meados de 2008, levou com graça e inteligência (e uma extrema virilidade, se me permitem dizer) uma externalização de vontade que muitos – para não dizer quase todos-  tendem a julgar.

Assisti a quase todas as entrevistas que Laerte deu a respeito do que alguns chamam de crossdressing. Do porquê da mudança, os desafios encarados, o que mudou na vida dele, como ele passou a ser encarado. Eu não consigo imaginar ninguém que tenha lidado melhor com um assunto tão polêmico quanto ele. Ele poderia balbuciar, perder o jeito, contradizer-se na ideias, fazer um tolo de si mesmo – não pela sua escolha, é claro, mas quem sabe por não sabe-lá explicar para o mundo. Não foi o caso. Laerte é um peixe liso e bastante esperto; não se deixa ser fisgado. Sai-se bem quando deparado com perguntas capciosas, dribla o politicamente correto fingido com a elegância de uma dama e estapeia uma sociedade hipócrita com a firmeza de um machão. Laerte sai-se tão bem porque Laerte é honesto. Laerte não mente. Laerte não tem medo de dizer que é bissexual, que sempre flertou com o universo feminino, que sente prazer em usar saias e pintar as unhas, que gosta de receber assobios quando passa em frente a uma obra. Laerte é a coragem encarnada.

É a coragem de ser diferente, sem se definir. É a coragem de assumir que ninguém, enquanto ser-humano, precisa de uma classificação. É a ousadia de ser algo que ninguém sabe o que é, nem ele mesmo, que conta abertamente que continua a tentar se entender. Mas precisa saber? Alguém precisa entender?

Menina que gosta de menina, nós chamamos de lésbica. Menino que gosta de menino, nós chamamos de gay. Se gosta dos dois, chamamos de bissexual. Quem não gosta de nada, é assexuado. E quem gosta de amendoim? Tem nome? E aquele que não gosta de amendoim, mas adora paçoca, como chamamos? E a menina, que não gosta de usar salto, mas gosta de usar saia e não usa vermelho? Tem nome pra isso também? Por que é que a gente precisa, tão desesperadamente, de nomes pras coisas? “O nome é um acréscimo e impede contato com a coisa”, escreveu Clarice em A Paixão de GH. “O nome da coisa é um intervalo para a coisa”.

Aceitamos, sem esforço, que pessoas podem ser diferentes. Que podemos gostar de coisas diversas. Essa aceitação só vale, é claro, para a zona de conforto: você pode gostar de azul e eu de amarelo, até aí tudo bem. Mas se você gostar de se vestir de menina, mesmo carregando um pinto entre as pernas, a regra muda: isso é atentado aos bons costumes. Isso não pode. Mas isso só não pode porque ninguém nunca fez antes, porque a regra ainda não foi posta à prova: homem usa calça comprida, trabalha pra sustentar a família, arrota na mesa do bar e gosta de falar palavrão.

Da mesma forma que, toda vez que discordamos de algum senso estético, alguém sempre anuncia um “gosto não se discute”, eu não consigo entender a fixação pela categorização. Cada ser humano é único. Isso não é das proposições mais difíceis de se compreender. Cada pessoa é um universo infinito de possibilidades de gostos, vontades e aspirações. Uns querem ser arquitetos, outros médicos. Uns gostam de montanha, outros de praia. Uns gostam de bermuda e outros de saia, de colar e de pulseira. Pronto. Gosto não se discute.

Eu tenho para mim que Laerte poderia, se quisesse, permanecer vestindo-se de homem para o resto da vida sem grande esforço. Que ele poderia suprimir essa vontade ou então reservá-la para amigos próximos ou para a privacidade de sua casa. O fato dele ter externado para o mundo o que talvez nem fosse uma necessidade latente, me faz ter mais orgulho dele. Ele teve vontade, foi lá e fez. Grande Laerte. Que homem!

“Não podemos ceder à brutalidade”, disse ele sobre o fantasma da agressão aos diferentes. Não cedamos às regras boçais também. Eu, com 22 anos, já conheci uma meia dúzia de pessoas que abdicaram da felicidade para serem aceitos. Que precisam se esconder em rodas específicas de amigos, que temem a própria família, que mentem aos próprios amigos. Quando eu assito ao Laerte sendo tão honesto, não somente consigo mesmo, mas com os outros, é impossível não sentir empatia pelo seu arsenal de sentimentos. Dar a cara a tapa, como ele fez, é para poucos.

Laerte provou que é possível ser único. Que é possível ser diferente. E não só diferente da média. Mas, inclusive, diferente daqueles que se julgam diferentes. Que você não precisa ser gay, ou lésbica, ou travesti, ou punk, ou emo, ou hypster. Você pode ser apenas você e isso está bem.

Mas, se por força do hábito, o mundo precisar que esses seres únicos também encontrem uma definição verborrágica, seja para incluir no dicionário, seja para denominar aqueles que não querem se enquadrar em nenhuma classificação de maneirismos, gêneros ou comportamento, eu proponho uma alcunha. Da próxima vez que alguém perguntar o que eu sou e o que eu gosto de fazer, direi em alto e bom som: “sou laerte e meu negócio é laertar por aí”.

Abaixo, primeiro bloco do Roda Viva com Laerte Coutinho. São quatro blocos e o link irá levar você para os outros três. Assistam, vale a pena:

Beijos,
Caio