Archive for March, 2012

March 30, 2012

Eu tenho um blog pessoal, o qual demorei um tempo pra estabilizar com pesssoas que seguem e comentam e me deixam feliz sabendo que eu posso ser um pouco interessante. Meu ex namorado recebe no email dele quando eu posto alguma coisa, isso quer dizer q eu nao posso escrever sobre ele. Nao quero comprovar oq ja ta na cara, to mal.

Dizem que o luto tem 5 fases:

1-Negacao

Na primeira semana agente continuou se vendo, eu fingindo que nada tinha acontecido e ele, bom, ele nao ligava pra nada. Agente saia, comia no subway pq ele ta de regime e no subway os guardanapos tem as calorias de cada sanduiche. Fomos no museu da faculdade, se beijando no elevador e se pegando pelos cantos. Eu nao chorava.

2-Raiva

Eu tenho segurada bem a minha raiva Pra falar a verdade eu nunca fui uma pessoa de colocar a raiva pra fora, eu lembro uma vez em terapia meu terapeuta me pediu pra socar uma almofada, no meio do espancamento eu comecei a chorar. Nao acho que isso seja sinonimo de “sexo fragil”, eh q eu nunca me senti avontade pra sentir raiva sem culpa. Ontem meu ex comecou a rir enquanto eu olhava pra cara dele sem falar uma palavra por 2 minutos, ele tinha me falado que queria parar de me ver, beijar, sexo, tudo, parar de vez, eu perguntei pq ele tava rindo ele me disse que nao sabia oq fazer com o rosto dele. Eu mandei ele enfiar no cu. Mas logo a raiva passou.

4- Deprecao

Assim que a raiva passou eu comecei a chorar. Nao desses choros doidos, baixinhos, nao, eu gritei: YOU ARE A FUCKING ASSHOLE! E comecei a chorar um choro de raiva, daqueles que agente nao consegue parar pra respirar, nao foi pq eu queria, nao foi pq eu quis que ele visse que eu tava sofrendo, que eu nao to preparada pra essa perda. Foi um soluco que saiu sem querer. Ele me falou que estava querendo parar de me ver pelas razoes erradas, que queria que acabasse rapido pra ele poder pegar outra e nao ter que sofrer ficar sozinho, ele disse que ia respeitar meu tempo e ir embora quando eu tivesse bem. Pra falar a verdade, depois do choro eu nao escutei muita coisa. Depois de ver ele ontem eu fui pra livraria, comprei The Bell Jar, Sylvia Plath, eu sabia que era um livro triste e tava procurando alguma coisa que fosse suprir a dor que eu tava sentindo, alguma coisa pior. Depois passei pela ala de humor, pq a vida nao pode doer tanto assim vi um livro chamado My Boyfriend Wrote A Book About Me, Hylari Winston, depois de 5 anos de namoro o namorado dela termina tudo e ainda escreve um livro sobre a relacao que comeca com: “my fat ass girlfriend”. O livro nao eh de todo engracado pela maior parte mas ela fala de como foi quando eles acabaram. Sobre como eh uma merda levar um pe na bunda e o quanto eh triste. Eu ainda nao cheguei na parte: superei, sou feliz! (apesar de ter lido ja o final do livro e saber q isso acontece, eh uma mania minha de nao gostar de nao saber o resultado, veja onde esse habito ta me levando, to solteira, again). Eu levei minha mae no aeroporto as 6 da manha, voltei, tentei dormir, acordei, comi, vi 3 horas de re-runs de Greys Anatomy e coloquei na cabeca que vou estudar amanha. Sao 7 da noite e eu ainda to usando meu pijama.

A proxima fase eh aceitacao. Uma hora ela chega, ela tem que chegar. E foda-se vc se achar que isso eh chato, que eu deveria reclamar em outro lugar, esse blog tb faz parte de mim e eu vou vou reclamar ate ficar melhor.

Lorraine.

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Por que eu odeio o Papa Bento XVI.

March 29, 2012

Eu estava lendo algumas reportagens sobre a passagem do Papa pelo México e por Cuba (o pronome de tratamento adequado para se referir ao cujo é “Vossa Santidadade”, mas faço questão de ignorá-lo).

Sempre tive especial interesse em religião e, mais notoriamente, na Igreja Católica Apostólica Romana. A forma através da qual a Santa Igreja se efidificou, os pilares que a mantém de pé depois de 2012 anos de bruta existência e, claro, a sua incoerência, não somente com o mundo atual, mas com o bom-senso.

Dizer que não gosto de religião seria pouco. Eu odeio religião. Sempre odiei. Odiava até mesmo quando eu era religioso, quando rezava todos os dias, quando estava convencido de que existia um Deus. Era o tipo mais comum de ódio internalizado, aquele que não se sabe da existência, aquele que só tomamos consciência quando já estamos no novo processo de odiar. Aí, então, percebemos que odiamos desde sempre.

Sou contra qualquer tipo de radicalismos. E sei disso pois já fui um radical nos tempos rebeldes e adolescentes. Todas as minhas opiniões pareciam marcadas em pedra sagrada e eu argumentava até o final para a defesa de uma posição. Isso se foi. Convivo muio bem, obrigado, com qualquer ideia de mundo diversa da minha. Por vezes, inclusive, nem me meto em qualquer tipo de debate. Essa paixão pela retórica interiorizou-se e a preguiça das pessoas aumentou. Hoje, com (um pouco) mais de maturidade, aprendi que não vale a pena o desgaste com as pessoas que gostamos por conta de uma opiniâo diversa, muito embora o desacordo dessa opinião possa vir a edificar um mundo pior.

Digo isso, porque não entro nas discussões de gente que é contra os direitos civis para homossexuais, gente que é a favor da bancada ruralista, gente que acha que manifestação estudantil deva pra ser reprimida com pancadaria, gente que carrega qualquer tipo de preconceito, gente que crê que o Golpe de 64 foi justificado. Não perco mais saliva. E isso é ruim. Muito ruim. Perdi a paixão por tentar espalhar a palavra por um mundo menos burro (nesse momento, admito que acho que os meus pensamento são o de mais correto para o mundo, sim, pelo menos no que tange aos temas expostos no parágrafo).

Mas quando eu vejo o Papa Bento XVI devidamente aprumado com sua casula de fios de ouro, sua mitra (o chapéu  imponente) e seu báculo (o bastão de conduzir ovelhas), ambos, é claro, feitos do divino material dourado, eu não consigo evitar sentir nojo. Eu não conheço a  história pessoal do Papa e nunca fiz qualquer investigação jornalística acerca de sua vida (nem poderia; escrevo esse texto do trabalho). Não posso julgá-lo pela pessoa que é ou pela pessoa que foi. Sendo completamente justo, não posso julgá-lo baseado em nada. Ninguém pode. Nem mesmo o Deus.

Mas sinto nojo. Nojo pela manipulação execrada que ele destila contra uma multidão de fiéis frágeis (pois a condição humana é sempre frágil e nada mais natural do que crenças para tentar nos tornarmos mais fortes). Não é que a Igreja seja incongruente com o mundo contemporâneo.  Ela sempre o foi. A Igreja que considerou negros sem alma no período colonialista. A Igreja que caçou e queimou mulheres de religião pagã durante a Inquisição. A Igreja corrupta e manipuladora da Idade Média. A Igreja assassina da Guerra Santa. A Igreja que condenava o uso de preservativos enquando 300 milhões de pessoas morriam de AIDS no continente Africano no ano de 2005. A Igreja que é contra a união afetiva de pessoas do mesmo sexo. A Igreja que promete o inferno para os pecadores não arrependidos. A Igreja anti-natural, que força um celibato impossível de ser seguido, que cria padres sexualmente perturbados, pedófilos, estupradores de freiras em mosteiros. Uma Igreja que é burra, feita por homens burros, de barretes longos e cérebros medíocres. Que tem como chefe um homem com suposto histórico nazista, que prega a hipocrisia em forma de ensinamento bíblico, que cria seres-humanos limitados, preconceituosos, raivosos e com qualidades que os afastam das também supostas palavras de amor, caridade e conciliação um dia enunciadas por Jesus.

Eu odeio a religião, pois odeio o fato dela ser um produto humano vendido como divino. Porque a Igreja engana, mente, rouba, julga. A Igreja cria excluídos sociais, monstros marginais. A Igreja é preconceituosa. A Igreja é criminosa. O Papa Bento XVI deveria ser alvo de prisão por incitar o ódio público, por apologia à violência, por pregar o preconceito. E esse é um pensamento radical, porém completamente necessário, uma vez que a gênese da burrice humana nos dias de hoje encontra-se no expoente Papa, chefe de uma Igreja decadente, mas sempre forte, que não cria nada além de um futuro medíocre a uma sociedade que pensa ser cada vez mais livre, mas está sendo cada vez mais dominada.

Eu sou ateu, graças a Deus. Mas minha posição em relação à Igreja não provém da minha falta de crença. Eu, inclusive, admiro as pessoas que acreditam em alguma coisa. A fé, propriamente dita, em um mundo desacreditado, parece para mim uma das maiores qualidades de um ser-humano. Eu não odiaria, se porventura, surgisse um Deus voando por aí. Eu não odeio a ideia de divindades. Eu odeio a idea de exclusão, de preconceito, de manipulação social e de moral hipócrita que a maioria das religiões imprimem em seus cultos.

Mas, acima de tudo, odeio o Bento porque ele é a cara do Lord Sidious e gente que tem esse tipo de semblante não pode prestar. Fica aqui o meu preconceito contra você, Papa. Pega essa.

Beijos,
Caio

March 27, 2012

Existe, para mim, pouca técnica na escrita e, tudo o que me vem, ou é inspiração ou é esforço descomunal. Se é inspiração, tendo a acreditar no bom resultado. Se me forço à escrita – como é o caso agora – escrevo por escrever. Porque preciso.

Costumava entristecar com a minha falta de talento. De como a minha mente, que eu pensava ser boa com as palavras, tem me deixado na mão. A constatação é engraçada. Eu sempre quis pensar que todas as minhas conquitas (inclusive as palavras) eram resultado de esforço e não de talento natural.

Talento é como nascer bonito ou feio: não se pode escolher e, portanto, não se pode orgulhar. É sorte, acaso, nem sequer é destino. Acontece. Tem gente que nasce inteligente, tem gente que nasce burra. Tem gente que nasce bonita, e gente que nasce feia. Eu queria ser uma daquelas pessoas que conquistou algo, mas não porque nasceu com o talento praquilo, mas porque lutou.Sempre detestei as alcunhas de familiares e amigos, que já davam como certo meu sucesso no que quer que fosse. Como se, para mim, as coisas fossem mais fáceis. Nunca foram. E eu fazia questão de deixar claro que, em qualquer óbice da vida, eu teria de empregar o mesmo tanto de esforço que qualquer pessoa. Que eu não tinha nascido com qualquer talento que me fizesse mais preparado.

É por isso que é engraçado, agora, que eu me irrite com o esforço que tenho de fazer para escrever. As ideias não vêm. Passo instantes longos na frente do computador, encarando-o solene, sem sequer um pingo de ideia brotar nos escafundilhos do meu cérebro. Por um tempo, comecei a achar que estava ficando burro (eu já não era?), que deveria ler mais, que precisava de mais referências. Mas eu leio o jornal todo o dia, estou lendo dois romances ao mesmo tempo, me esforço para escrever todos os dias. Eu não merecia estancar na inspiração. Eu não merecia ser incapaz de dar cabo à minha escrita. Eu merecia escrever. E merecia escrever muito.

Porque o esforço me incomoda, se o esforço em si sempre foi minha meta ideal? Não era esse o cenário-fim? Que o objetivo fosse duro de alcançar? Que para atingí-lo, eu precisasse de trabalho duro? Porque eu acho que escrita não combina com suor, com papel  amassado, com trechos inteiros de história no lixo? Me encaro tão genial a ponto de não poder descartar páginas inteiras de livros, por não querer começar de novo? Ou sou apenas preguiçoso? Me confundo inteiro, como sempre, e a hipocrisia me consome os brônquios de forma mais maldosa que minha bronquite (é porque se  finjo o que não sou em tom de julgamento, não consigo respirar e é por isso que a hipocrisia me come os pulmões).

A verdade é que a negação de um elogio dado pelos outros é a vontade encarnada de que o elogio seja verdade. Negar que eu tenho talentos é só o reforço da minha vontade de ser talentoso.

E esbravejo com as minhas mãos que não conseguem escrever, quando deveria esbravejar com meu cérebro que não sabe pensar. E me perco na raiva de uma escrita débil, de textos que pouco dizem, de uma inteligência apática que não sabe onde vai dar. Os meus intentos eu quero terminar. Porque terminar, para mim, é ter sucesso. Hoje, de tão medíocre, meu sucesso é só terminar o que comecei.

É que metade do que começo não sei terminar. E, do que termino, metade não sei para o que serve. A outra metade, se servisse para alguma coisa, restaria inútil, porque não é boa. Tem propósito, mas não tem qualidade. E, assim como a vida, não importa se a coisa serve. Importa se a coisa é boa.

Beijos,
Caio

São Paulo só fode.

March 26, 2012

Antes de começar o post, devo deixar explícito meu amor pela cidade de São Paulo. Amo-a. De verdade. Amo-a. Estou há sete meses longe da megalópole e isso só reafirma meu amor por ela. Amo São Paulo e não trocaria sequer por Londres, de verdade.

Mas agora, eu tenho que também explicitar o quanto essa budega de cidade é cara bagaraio.

Aqui na Inglaterra, eu trabalho, no máximo, 3 dias por semana, em um emprego de meio período. Isso me rende um salário equivalente, de forma proporcional, à METADE do que eu costumava ganhar em São Paulo. Mesmo assim, com esse salário, aqui, eu pago meu aluguel, faço supermercado, vou pro pub, vou pro cinema e faço duas viagens internacionais por mês. Na real, dos 30 dias do mês, pelo menos 10, eu passo viajando. E tudo isso com uma grana que, convertida para reais, não pagaria o aluguél de um apê nos Jardins. True story.

O que eu quero dizer é: São Paulo, te amo, mas num vai rolar. Fiquei mal acostumado com uma coisa chamada QUALIDADE DE VIDA. Sami, acho que vc vai ter um companheiro pra sua viagem pra Europa ano que vem. Do jeito que tá, é pegar o diploma e rapar fora pra próxima aventura.

A questão é: dá pra levar todos os amores na mala?

Beijos,
Caio

GIIIIIIIRO DE NOTÍÍÍCIAAAAS!

March 23, 2012

Pra quem ainda não percebeu, eu (Caio) sou o único que ainda posta aqui nessa jiromba. Aí você me fala “Ai, que chato, Caio, essa porra de blog tem três anos já, ninguém mais lê. Samira, Pipi, Lucas e Lorrraine tão cagando. Por que vc continua postando?”. Meu, então, a real é que toda vez que eu pego para ler os posts antigos do vaca, de 2009, 2010, eu quase choro de tanto rir e me sinto bem de ver a nossa históri aqui e, realmente, não queria perder essa sensação quando eu tiver 26 anos e estiver lendo os posts de 2012. Quero lembrar nos rolês, do momento que a galera tava vivendo, da música que a gente tava ouvindo. Tô ligado que quem vive de passado é museu, mas a minha história bonita com meus amigos eu ainda tô querendo preservar, mesmo que todos eles estejam ocupados demais para postar aqui de vez em quando (indireta much?).

ENTÃO VAMOS AO NOSSOOOO GIIIIIIIRO DE NOTÍCIAS.

Enquanto eu contiuo no velho continente, a apenas três meses de regressar à pátria amada, idolatrada, salve e salve, as ciosas no Brasil parecem continuar iguais. Vejamos:

Sabrina continua rebobinando fitas e se degladiando com o brother do financeiro do trampo dela. Ouvi dizer que andou negligenciando o treinamento com o long e perdeu muita das habilidades.

Lucécia virou workaholic total e só reclama de trabalho, muito embora ele continue conectado 24 horas por dia no facebook. Com quem ele fala é um mistério, já que ele jamais responde minhas mensagens. Eu estou apostando em um novo romance proibido.

Pipi….. ALGUÉM TEM ALGUMA NOTÍCIA DO PIPI? ELE TÁ BEM?

Rolaine, como vcs perceberam, terminou com o namorado e tá na fossa. Se alguém tiver algum conselho pra menina, favor se manifestar nos comentários, que eu num guento mais dar uns quebras virtuais nela.

Luma e Karnakis seguem a vida pacata de casal. Karnakis continua no plano desenfrado de ser o próximo milionário.

Cadu e Tássia, ouvi dizer, formaram uma gangue de furtos de aquários em formaturas e tão revendendo o material na Leroy Merlin.

O resto da patota tá perdida entre Las Vegas e Califórnia e ninguém mais me dá notícia de nada.

Segue foto inspiracional do dia:

Beijos,

Caio

ENTREEEI NA FEIRA DA FRUTAAAAAAAA

March 23, 2012

PRA VER O QUE A FEIRA DA FRUTA TEEEEEEEMMMM!

Um beijo pra todos do VACA, uhuuhuhuhu!

Caio

A solidão de quem se sabe.

March 22, 2012

Além de uma mansidão aparente, existe sempre muita crise estelar na alma de cada um. Uma cara sóbria é falcatrua de quem quer estar bem sem poder se dar ao luxo de dizer as coisas. Quem as diz, admite quase secretamente o verdadeiro estado do ser. Não há discurso que não se entregue, mesmo o interlocutor sendo um ótimo ator.

É o momento em que as palavras revelam quem somos e quem são. Pois palavras se dotam de seus significados próprios, mas também carregam os significados de cada um de seus donos. A palavra que é igual, na boca diferente de cada um, é sempre diversa de significado. Um discurso nunca pode ser o mesmo, assim como o interlocutor está sempre em metamorfose.

É por isso que amo e odeio as conversas. As amo, pois são a única forma possível de compreensão humana, a forma mais próxima e patente de se chegar a um consentimento, a um entendimento. São nas conversas, aquelas bem estruturadas e dotadas de inteligência, que as palavras florescem. Seu propósito desabrocha. Mas também as odeio pois são todas incompletas. Nenhuma delas preenche a necessidade inicial de forma suficiente. Se a conversa existe por uma razão, essa razão nunca é plenamente explorada pela conversa em si.

Há bem que se dizer que grande parte da culpa desse destino injusto das palavras são os interlocutores em si. Humanóides demais, quase nunca construímos a frase da maneira que queremos dizê-la. É triste que nossos desejos mais íntimos, que as vontades e as razões do coração, nunca possam ser externalizadas de forma completamente coerente: há sempre uma diferença de vácuo entre o que queremos dizer e o que realmente dizemos. Quando discursamos, sempre perdemos.

E é aí que as palavras nos provam a solidão. Pois ninguém será nunca capaz de nos ler sem erros, de compreender quem somos sem perderem-se um pouco nas formas do que dizemos. O que somos por dentro, detrás dos olhos e da face, será sempre nosso mistério, pois palavra qualquer poderia traduzir. Somos mistérios em nós mesmos. Somos verdade apenas até um segundo antes do pensamento chegar à boca durante a viagem que parte do cérebro. No instante em que verbalizamos a primeira sílaba, viramos mentira, o encanto se quebra, quedamos sozinhos novamente.

Caio

March 21, 2012

Às 9:05 da manhã de hoje, eu saltava do ônibus número 38 – a caminho de Moortown Corner – com a Jo, uma das minhas colegas de trabalho. A manhã, assim como quase todas as outras, era bastante inglesa, fria e cinza. Enquanto caminhávamos ambos em direção ao escritório, sob chuva fininha, a Jo me contou que detestava os ônibus. “Eu sou tão alemã” – disse ela, que é mesmo natural de Berlim. “Eu reclamo de tudo”. Eu assenti e ri, querendo parecer leve e brasileiro. É mesmo interessante que eu seja um pouco reclamão mas que, naquele momento, quisesse passar a impressão do brasileiro de bem com a vida. Ela continuou: “Normalmente, o que a gente mais odeia nas pessoas são os traços da nossa própria personalidade. Eu nunca fui fã de pessoas. Quero dizer, olhe ao redor. O mundo é horrível por causa das pessoas”. Eu olhei ao redor. Vi uma velhinha inglesa atravessando a rua com a sacola de compras na mão e uma fila de crianças saindo do ônibus escolar, enquanto o padeiro tirava a primeira fornada de folhados e a colocava na vitrine. A pacata Leeds não poderia estar mais pacata. “Eu normalmente gosto de pessoas”, disparei. “É difícil eu odiar pessoas”. Que mentira. Ela replicou: “Talvez eu devesse me mudar para o Brasil, então”. Missão cumprida. O Brasil tinha virado um país legal para mais um estrangeiro.

O resto do caminho fui pensando nas pessoas. Em todas elas, não importava se as conhecia ou não. Estar longe da vida comum, e mais, do amor comum, é trabalhoso. Até com o amor a gente se acostuma. Com um certo tipo de amor. Sabemos o calor específico de cada coração por qual nos apaixonamos, seja na família ou seja nos amigos (no meu caso, essas duas categorias são exclusivas, já que o amor de amante parece ser sempre negligenciado pela vontade do meu destino). Aqui, eu tive de reaprender a amar. A amar o que não me é correlato. Aquilo que, em condições naturais, talvez eu sequer prestaria atenção.

Confesso que era preconceituoso no amor. Que sempre amei, ou tentei amar, aquilo que para mim parecia valer a pena. Para qualquer um, a afirmação pode parecer justa, mas não é quando entendemos que qualquer pessoa é digna e passível de amor.

Ontem eu tive de me despedir de um amigo querido. Talvez o mais querido que eu tenha feito durante esses seis meses que estou aqui. O Erick, mexicano da gema que não viajava sem sua salsa para pôr na comida, seria o tipo de pessoa que talvez pudesse sofrer preconceito do meu amor. Calado, confiante e de gostos específicos, nunca fez questão de agradar quem quer que fosse. Vestiu o mesmo casaco por seis meses e, confessou a mim, tomava banho raramente. Fazer a barba era luxo e ele realmente não se importava de usar um moleton sujo. Dividia o quarto comigo e, por dois meses, dividimos a cama de casal, já que ele não podia assinar um contrato de aluguel. Eu não liguei. Pelo contrário. Hoje, com a sua partida, tendo a achar a cama e o quarto odiosamente vazios e o espaço extra nas gavetas começa a me irritar.

Eu nunca fui de pesadelos. Nem quando criança. Jamais acordei chorando por um sonho ruim. Mas tive meu primeiro pesadelo aqui, do lado do Erick. Acordei chorando e gritando e, quando dei por mim, eu já recebia um abraço dele. Um abraço de verdade, sem amarras ou medos. Ele só queria me ver bem e conversou comigo até que eu voltasse a dormir novamente.

O Erick ganhou meu  carinho e amor pela sua honestidade, consigo mesmo e comigo. Pela sua alma bondosa, pela sua mente aberta, livre de preconceitos e por acreditar em mim, por conversar comigo, por ter chorado comigo, por admitir seus erros, por saber estar perdido, por não ter vergonha de pedir um abraço, por ter me abraçado quando eu tive meu primeiro pesadelo, por ter me amado.

Eu entristeço ao pensar que, muito provavelmente, a vida vai nos separar. Por mais que me doa a proposição e eu queira acreditar que poderemos manter um contato duradouro, minha perspectiva realista sabe que são poucas as amizades que sobrevivem a oito mil quilômeros de distância. Mas vou tentar. Quero visitá-lo quando ele casar com a Nallely, a namorada que virou sua noiva em Paris. Quero recebê-lo em minha casa quando, no próximo ano, ele for para a Argentina. Quero, principalmente, abraçar o Erick de novo. Pois foi no abraço que eu senti o amor.   Pois foi no abraço dele que eu me senti feliz, mesmo longe de todos aqueles pelos quais sou apaixonado no Brasil.

E eu me orgulho de sentir que o Erick não é meu tapa-buraco. Ele não é substituto para nenhum outro amor na minha vida. É único, um amor magnífico que, mesmo não se provando a todo momento pelo contato imediato, vai sobreviver em mim por muitos anos, eu sei bem disso.

A ele, que não fala Português e talvez nem saiba da existência do blog, eu agradeço. Agradeço pelo amor que eu senti. Havia esquecido. Já tinha tomado todos os meus amores como líquidos e certos e, alguns dos amores que perdi, faço questão de não me recordar. A ele agradeço com todas as forçar por ter sentido um novo amor. Eu ando triste esses dias. Mas só ando triste porque o Erick me fez bastante feliz.

Quando a gente sente um amor novo e tão bom assim, entende que todos os amores valem a pena. Que todas as pessoas merecem o amor e que, quando se ama sem fronteiras, medos ou preconceitos, a vida, como um todo vale mais a pena. Vale mais a pena porque se é todo sorrisos, e abraços, e carinho.

E eu desejo, a qualquer um que esteja lendo, um amor desses, seja ele que cara tiver, seja ele como for.

Beijos,
Caio

Gente estilosa…

March 16, 2012

… é quem tem auto-confiança!

 

Diz aí, Sam!

Uma geração.

March 7, 2012

O primeiro passo para reconhecer que se está ficando velho é conseguir fazer análises da própria geração. Só se faz análises de objetos que tiveram tempo de vida suficiente para serem observados e é com tristeza que percebo que a minha geração já tem tempo de casa para ganhar pitaco.

A análise é um tanto abortada, confesso. Eu bem sei que tenho conhecimento de parcela bem específica da tal geração Y. Tendo sido criado em cativeiro, ambiente hermeticamente fechado de boas escolas particulares, cursos de inglês, faculdade pública e intercâmbios acadêmicos, entrei em contato só com gente como eu.

Comecei a estagiar um mês depois de ter entrado na faculdade. Era um dos maiores escritórios de advocacia do país e eu era o único estagiário da área de Direito do Consumidor. Me lembro de, no meu primeiro trabalho como estagiário (tirar fotocópia das principais peças de um processo), eu acabei por perguntar para o advogado como eu reconheceria e petição inicial. Ele, mais paciente do que eu esperaria, me respondeu que a petição inicial é a primeira peça dos autos, obviamente. Relevem, eu tinha apenas um mês de São Francisco e ainda pensava que seria o póximo Paulo Autran.

Quatro anos depois e eu já passei por outro escritório de grande porte, por um banco de investimentos, cursos variados, duas experiências internacionais, um intercâmbio acadêmico, um estágio na área de pesquisa e muita malandragem aprendida de uma vida profissional muito jovem. Meu currículum impressiona meu pai e até mesmo meus irmãos mais velhos. Para eles, sou menino gênio.

Coitados, mal sabem que estão sendo enganados. Meu currículum não tem nada além do que os outros currículos dos meus amigos têm. Todos falam mais de uma língua, todos possuem experiência profissional de qualidade, a maioria já viajou para o exterior. Todos eles se vestem bem. A competição é difícil. Ter nascido privilegiado (pois em um país pobre, quem tem um olho é senador) resultou em uma competição desmedida; é preciso estar sempre bem preparado sob a pena de eu me tornar um não-empregável, o que aqui é alcunha pior do que “aquele-que-não-deve-ser-nomeado”.

A minha geração é impressionante. Eu mesmo fico estupefado com a qualidade profissional dos meus amigos mais próximos. Um já é diretor de arte, outra produziu quase metade de todos os programas de TV que eu assisto, tem um que já é até CEO de uma empresa de pequeno porte. Eu corro para não ficar atrás. Em uma faculdade pública com a tradição franciscana é ainda pior: o nivelamento é por cima, muito por cima. Nessa esteira de vaidades e qualidades pessoais, é difícil manter a auto-estima e confiança em alta. Nem me comparo aos alunos de Harvard, Oxford ou Cambridge que é para me poupar a depressão.

Pois bem, em matéria de informação e capacitação, essa geração Y provou (e prova) todos os dias que é a mais preparada em tempos. Concordo e discordo. Concordo que somos inteligentes, que, se quisermos, aprendemos rápido. Que dominamos mídias e que a tecnologia não nos assusta. Somos rápidos, conseguimos fazer muita coisa em um mesmo tempo. Mas também somos preguiçosos, contamos demais com as facilidades do mundo moderno e nos falta foco. Temos medo de trabalho duro, esforço parece contraproducente e somos todos prol prazer. Trabalhar muito só se a contraprestação for condizente. “Só sou workaholic se puder ser milionário”.

E tudo isso eu acho bem natural e, em algumas medidas, bom. Nossa geração aprendeu que não vale a pena perder todos os fios de cabelo trancada em um escritório. Há vida lá fora e ela deve ser aproveitada: queremos viajar, conhecer lugares, ver coisas, tocar, experimentar, angariar sensações. Tudo pelo prazer, é preciso viver. A promessa de um lugar eterno no Paraíso não agrada mais e o Céu é aqui e agora.

Sem problemas até aí também. Parece até que encontramos a harmonia perfeita entre aspirações e obrigações. Acontece que essa geração, que experimentou muito mais facilidades do que seus progenitores, não sabe falhar, não sabe ser negada e ainda não aprendeu que a vida só se dá depois de inúmeras tentativas frustradas. Ao chegarem na vida adulta, esses adolescentes privilegiados pensam que encontrarão a continuidade de todas as facilidades das quais dispuseram até ali. Demora para esse jovem adulto perceber que o ambiente de trabalho é diferente do ambiente acadêmico protegido, que a postura frente aos problemas deve ser diferente e de que, a partir de agora, é preciso ser de ferro.

Esses jovens (e aqui eu me incluo na patota) são macios demais. Frágeis, até. Não sabem administrar a perda, uma possível incapacidade , um problema que seja. Se perdem nas formas da burocracia da vida adulta, reclamam quando deveriam trabalhar, desistem quando sequer começaram as tentativas reais. Quase tudo serve de engodo para postergação ou para chamada depressão. Quantos dos seus tios ou amigos dos seus pais fazem terapia? Agora me diga quanto dos seus amigos fazem terapia. O número, pelo menos para mim, quase triplica.

Não estou fazendo menos de possíveis disfunções psicológicas, percebam. Mas me pergunto se elas podem mesm ser chamadas de disfunções ou se são apenas o que meu pai costuma dar o nome de “contratempos da vida”.

É preciso aprender a viver. E a vida, assim como qualquer outra experiência, carrega sua parcela boa e sua parcela ruim. É composta das risadas, mas também das perdas, dos fracassos e dos choros. A maneira com a qual lidamos com essa parcela ruim da vida nos determina de forma muito mais profunda do que os momentos de prazer. Não que eles não sejam importantes, pelo contrário: quem me conhece sabe bem que sou um entusiasta da boa vida. É preciso compreender somente que todos os estados de vivência são mutáveis.

“Nada é permanente, exceto a mudança”: Heráclito já sabia que tudo pode mudar, para o bem ou para o mal. Essa geração, inteligente que só ela, ainda está em tempo de aprender e fazer bom uso daquilo que seus pais falharam em ensinar. De que sucesso de verdade só vem depois de muito esforço e de que esse mundo, definitivamente, não foi feito para os fracos.

Beijos,
Caio