Porque diabos a grama do vizinho parece sempre mais verde que a nossa.

Eu creio, com todas as forças das quais disponho, que a máxima acima foi lida com um assentir da cabeça e um pensamento breve, nebuloso, na forma de “é verdade…”.  Porque é verdade: a grama ao lado parece sempre mais bem cuidada e saudável do que o malfadado jardim particular.

 Não importa em qual momento da vida se encontre. Pego-me como parâmetro: eu, teoricamente, não poderia estar mais feliz: encontrei a harmonia perfeita entre vida profissional (que me rende bom dinheiro), vida artística (que, à primeira vista ,faço por paixão) e vida social (que é, no fim, o que me mantém vivo).

 Entretanto, hoje, ao caminhar em direção ao trabalho e reparar um moço de terno, com cara de sono, saindo de um prédio alto, provavelmente um trader do mercado financeiro que virou a noite fazendo operações, não pude evitar sentir um tico de inveja. Quis estar no lugar dele, ter feito operações a noite inteira, ganhado muito dinheiro e estar indo para casa às nove da manhã ganhar o meu descanso merecido e, quem sabe, poder assistir a Sessão da Tarde.

 De forma consciente, porém, também sei que ele me fitou e, em seu íntimo, também sentiu um pouco de inveja e quis estar em meus sapatos: ter tido uma boa noite de sono, entrar no escritório no horário normal, ganhar um pouco menos em troca de uma vida regular.

 Esse é o destino e a lei do mundo: querer o que está além. É isso, de forma cruel, o que também nos impulsiona. A força construtora e edificante do mundo moderno, não foram os desejos alcançados, mas sim as expectativas frustradas.

 Querer o que o outro tem é inerente â natureza humana, insatisfeita e insegura, quase incapaz de felicidade plena. O que distingue as pessoas que vivem bem com essa acepção é justamente a maturidade de lidar com essa diferença de expectativas e tratá-las de igual para igual, com caráter, de frente e não de costas.

 Ontem mesmo, ao conversar com uma amiga acerca de seus medos, eu deparei-me com meus próprios. Constatei que a ela dispunha um milhão de conselhos, todos racionais e corretos, mas que também se aplicavam aos meus problemas, que eu insistia em dramatizar. Não pode. Tem que virar adulto; adulto de verdade. Tem que saber superar os óbices.

 A grama do vizinho pode parecer mais verde. Entretanto, de forma aceitável, é bem possível que preferiramos a nossa grama marrom. Pode ser feia, mas é nossa e, acredite, é bem verde e vistosa para outro alguém.

Caio

3 Responses to “Porque diabos a grama do vizinho parece sempre mais verde que a nossa.”

  1. minivaca Says:

    ai caio, thanks, eu prcisava ler isso hoje, beijos.

  2. minivaca Says:

    yes yes yes! chega de mirar, vamos aceitar que nossa vida é linda e divertidissima e nos amamos

  3. luquinhas Says:

    ieeeeei

    agora vamos beber

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